OBJETIVOS
Trabalho preferencialmente com idosos, e tenho sempre em mente que pessoas longevas não podem ser
tratadas simplesmente como adultos que envelheceram.
Há questões que são especificamente relacionadas à terceira idade como a aposentadoria, a solidão, a
viuvez, a perda de poder dentro da família, doenças, e muitas outras. E ainda seria temerário, haja
vista a crescente expectativa de vida, considerar todos os idosos numa única categoria, como se a
problemática da faixa dos 50 aos 65 fosse igual à dos 65 aos 75 e esta à dos centenários.
Para cada assunto abordado, para cada questão levantada, é necessário ouvir o que eles têm a dizer.
Afinal viveram muito e foram acumulando conhecimentos. É importante ter consciência de que mesmo não
sendo um saber técnico, acadêmico, essas pessoas trazem à baila suas vivências, o que sentem na
própria pele, suas experiências pessoais. Ouvindo-os, todos temos a ganhar e os idosos se sentem
valorizados. E este incremento da auto-estima é fundamental para alcançar uma boa qualidade de vida
- o nosso objetivo primordial.
Entretanto, para extrair prazer e proveito da conversa, é necessário saber ouvir, analisando,
sintetizando, para combinar os depoimentos com o que o profissional quer transmitir. E para
conseguir isso é preciso sensibilidade, treino, respeito e vocação. Para conseguir estimular as
pessoas a expressar o que elas precisam dizer e dar a elas o retorno de que precisam é necessário
ter um trânsito fácil nos relacionamentos, ter desenvolvido o auto-conhecimento, a capacidade de
compreender e ajudar.
Ao lidar com pessoas mais velhas, é importante abrir espaço para que elas sintam-se livres para
falar sobre assuntos complexos, sobre os quais os familiares nem sempre sabem ou conseguem ouvir e
conversar.
São muitos os aspectos a serem considerados na relação com os idosos, como, por exemplo, as
condições de vida dos cuidadores. Muitas vezes todo o esforço e o trabalho cotidiano, que um idoso
demanda, podem levar a um estado de cansaço ou depressão do familiar ou profissional contratado para
o serviço. Surge, aqui, um terreno fértil para o aparecimento dos maus-tratos. Nesses casos,
preventivamente e para atingir melhores resultados, é necessário abrir espaço para que estes
cuidadores possam também se expressar e se cuidar.
A constatação de que há tanto a ser feito, contribui para que meus planos incluam, cada vez mais, os
trabalhos em grupos, que por sua própria natureza permitem um alcance de um número maior de pessoas.
O trabalho de capacitação de outros profissionais para a função de facilitadores, onde partilho
minha experiência, combinada com o embasamento teórico, também faz parte desse processo multiplicador.
O contato com essas pessoas me faz sentir recarregada de energia e motivação. Ao me dar conta de que
conceitos importantes são discutidos criticamente e percebidos com clareza, valorizo ainda mais o
método utilizado. Através do entendimento conseguido com uma conversa sem o jargão profissional,
trabalhando com o vocabulário do próprio grupo, penso que estou efetivamente contribuindo para que
exercitem sua cidadania, valorizando-se e fazendo-se respeitar. É o que entendo por uma velhice
saudável e feliz. E assim, nutro este grande sentimento de realização profissional, concordando com
a reflexão proposta por Mannoni (1995): "O que mantém vivo um ser humano é a afeição, a ternura, um
espaço de sonho no qual possa haver um lugar para a presença de alguém que o escute".
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